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Macapá

268 anos de Macapá

Prefeitura realiza Festival de Iemanjá durante programação do aniversário de 268 anos de Macapá

O Amapá News | 03/02/2026

268 anos de Macapá Evento reuniu cerca de 30 casas religiosas, lideranças espirituais e público em uma programação cultural e religiosa no Araxá.

Por Gabriela Matoz

A Prefeitura de Macapá realizou, nesta segunda-feira (2), o Festival de Iemanjá, na Concha Acústica do Araxá, como parte da programação do aniversário da capital, celebrado em 4 de fevereiro. Promovido pelo Instituto Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Improir), o evento teve como objetivo valorizar a diversidade cultural, a ancestralidade e as tradições das religiões de matriz africana.

O festival reuniu cerca de 30 casas religiosas em uma programação que uniu fé, cultura e ancestralidade. A cerimônia teve início com a saudação a Exu, símbolo da abertura dos caminhos, marcando o começo das atividades religiosas e culturais. Às 19h, ocorreu a chegada ritual de Iemanjá, conduzida pelas tradições do Kêtu e da Nação Angola, representando a união entre diferentes matrizes das religiões de matriz africana.

Às 20h, foi realizada a entrada no rio e a entrega das oferendas, um dos momentos mais significativos da celebração. O ritual reuniu sacerdotes, sacerdotisas e representantes das casas religiosas participantes, reforçando o caráter coletivo e sagrado do festival.

Durante a programação, o professor e artesão Sérgio Conceição participou comercializando produtos artesanais ligados às tradições afro-religiosas. Para ele, o festival representa um momento de fortalecimento espiritual e profissional.

“Esse momento é muito importante, principalmente por ser o Dia de Iemanjá. Aqui eu apresento meu trabalho com guias de orixás, caboclos e outras entidades”, afirmou.

Sérgio Conceição | Foto: Emanuelle Gomes/PMM

| Foto: Emanuelle Gomes/PMM

O público presente acompanhou a programação cultural e religiosa ao longo da noite. A dona de casa Oléia Rodrigues participou do Festival de Iemanjá pela primeira vez e destacou a importância de ações que aproximam a população dessas tradições.

“É a primeira vez que venho e achei tudo muito bonito. Esse tipo de evento ajuda a gente a conhecer mais sobre a cultura e a religiosidade”, relatou.

Oléia Rodrigues participou do Festival de Iemanjá | Foto: Emanuelle Gomes/PMM

| Foto: Emanuelle Gomes/PMM

A dimensão religiosa do ritual foi destacada pelo pai de santo Gil Artassa, da Casa Guerreiro de Mina de Ogum Naruê, no bairro Novo Horizonte.

“Esse ritual representa as casas, os adeptos, os simpatizantes e toda a comunidade. É um momento de respeito e gratidão”, explicou.

Gil Artassa também ressaltou a simbologia da celebração realizada às margens do rio. “Mesmo sem o mar, o rio nos permite saudar Iemanjá, a rainha das águas, e realizar nossas oferendas”, afirmou. Ele destacou ainda que o apoio institucional contribuiu para o fortalecimento e a organização do festival ao longo dos anos.

Gil Artassa, pai de santo | Foto: Emanuelle Gomes/PMM

| Foto: Emanuelle Gomes/PMM

A diretora-presidente do Improir, Cristina Almeida, destacou a relevância do Festival de Iemanjá dentro das comemorações do aniversário de Macapá.

“Esse ritual faz parte da nossa história e da nossa identidade cultural. É uma tradição ancestral que precisa ser respeitada e valorizada”, afirmou.

Ela também ressaltou o protagonismo das comunidades tradicionais e, especialmente, das mulheres na organização do evento. “As mulheres têm um papel fundamental na preparação das oferendas e na realização desse ritual”, completou.

Cristina Almeida, diretora-presidente do Improir | Foto: Emanuelle Gomes/PMM

| Foto: Emanuelle Gomes/PMM

A programação contou ainda com o Momento Encantaria, dedicado às tradições de fé e ancestralidade, além de apresentações artístico-culturais, com encerramento à meia-noite.

Associada às águas salgadas, Iemanjá ocupa lugar central nas cosmologias africanas. Reverenciada como mãe de diversos orixás, a divindade simboliza proteção, equilíbrio e força ancestral nas tradições de matriz africana.

O Festival de Iemanjá foi organizado pelo Ilê Axé Odé Olufonnin, em parceria com o Instituto Sociocultural Axé Fonnin.



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